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TRANSCRIÇÃO
pelo Professor ERICH GONZALEZ, na cidade de Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela.
LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADON EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
LIÇÃO
2 - A INICIATIVA
Lição
no visor.>>>
Estimados
amigos leitores desta pagina. Faço-lhes a entrega da segunda lição.
Pode-se
entender por "iniciativa" a forma de conduzir as peças de maneira que
signifiquem um ataque constante sobre o rival, constituindo ameaças, das quais
se deve defender imediatamente, buscando sempre "ganhar tempos", ainda
a custa de perder peões e peças para atingir o objetivo perseguido.
QUANDO
UM JOGADOR CONSEGUE LEVAR UMA INICIATIVA CONTÍNUA, CHEGA UM MOMENTO QUE SE
ESGOTAM AS JOGADAS BOAS DO OUTRO. Baseadas neste conceito, existem muitas
partidas (mesmo entre mestres) em que um dos jogadores se apodera da iniciativa
desde a abertura e não a cede, mesmo que deva perder peças, fazer sacrifícios
e buscar difíceis combinações; conseguindo obter a vitória se for capaz de
manter um ataque contínuo, perdendo lamentavelmente se o outro consegue
encontrar replicas justas que desbaratem seus planos. Porque todos os jogadores
conhecem o valor da iniciativa , logicamente, desde a saída, tratam de se opor
a do rival.
Os
jogadores sabem perfeitamente que: AS VEZES, A DESVANTAGEM MATERIAL ESTÁ
AMPLAMENTE COMPENSADA COM A VANTAGEM DE "TEMPO" E ESPAÇO.
A
partida que vamos analisar foi jogada em Lá Habana, Cuba, em 1892, pelo
campeonato do mundo, entre Steinitz e Tchigorin. E não é, por certo, "uma
partida modelo", senão um duelo onde nenhum dos dois quer ceder a
iniciativa e, para isso, realizam jogadas incompreensíveis para os profanos.
Para compreendê-la é necessário saber que Tchigorin vinha de varias derrotas
seguidas para Steinitz e transbordava de fúria dissimulada. Seu rival tampouco
queria ceder porque estava em disputa o campeonato do mundo.
Em
outras palavras: ambos estavam dispostos a "tirarse las piezas por la
cabeza" Foi jogada uma abertura de peão do rei, que já sabemos, significa
"luta a morte" onde a combinação ha de primar sobre o jogo
posicional. Em seguida, derivou a um Gambito Danes aceito e já veremos como
ambos tratam de tomar a iniciativa.
BRANCAS: Tchigorin NEGRAS: Steinitz
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.d4
Muito
ativa.
3...exd4
Tomando
a iniciativa.
4.Cxd4 Dh4
As
brancas jogam o Gambito Danes, que ataca duas vezes o peão do rei negro, com a
evidente intenção de tomar resolutamente a iniciativa, porém, ante a resposta
do negro - aceitando o gambito, também para se apoderar da iniciativa - decidiu
jogar 4. Cxd4, com o que cede este direito a seu rival, que imediatamente jogou
4...Dh4, atacando o peão do rei para obrigar as brancas a defendê-lo.
Vamos
esclarecer aqui que, em nossa opinião A saída PREMATURA DA DAMA NA ABERTURA NÃO
É MUITO RECOMENDÁVEL. Porém, já dissemos que os contendores jogavam com
"raiva" e não se preocupavam muito com debilidades. A prova esta na
seguinte jogada do branco. A jogada "chata" que fariam a maioria dos
aficionados seria 5.Cc3, defendendo o peão do rei. Porém isso dá lugar a que
o negro continue com a iniciativa e já dissemos que aqui não se trata de
"andar com elegância".
5.Cb5!
Esta
é a jogada mais ativa de que dispõe as brancas. Se bem que perdem um peão
(com xeque), aproveitam esta circunstância para desenvolver o bispo dama e,
logo, o negro terá que se defender da ameaça de "duplo" ao rei e a
torre, do contrario o cavalo tomaria o peão de c7, com o que reconquistaria a
iniciativa. É, pois, uma luta pela iniciativa, na qual se trata de acumular
tempos a custa de material.
5...Dxe4+ 6.Be3 Rd8
As
negras acreditam que o melhor para sair do xeque e mover o rei e ao mesmo tempo
apoiar o peão atacado. Resignam-se a jogar sem roque para evitar perder tempos.
[6...Bd6 não era bom 7.Dxd6 cxd6 8.Cxd6+ recuperando a dama e ganhando um bispo
e um peão; 6...De5 Tampouco servia 6...De5 porque, como veremos mais adiante, a
dama está mal colocada nessa casa.
7.C1-c3 De5 8.Cd5!
Em
que se fundamenta o branco para tomar tão resolutamente a iniciativa a custa de
"material"? Fundamenta-se no fato de que pode chegar a reconquistar o
material com acréscimo se consegue mantê-la.
8...Cf6 9.Cbxc7 Bd6!
Entregando
a torre, porém imobilizando esse cavalo (se esta toma a torre) porque não
poderá sair mais, e ameaçando 9...Cxd5 com o que compensaria a desvantagem,
levando a iniciativa e até com ganho de material porque se poderia dizer que
teriam trocado sua torre imóvel por "dois" cavalos ativos; além da
ameaça que se faz sobre o bispo de 'e3'. Se o cavalo branco não toma a torre,
o negro jogará tranqüilamente Bxc7 com ganho limpo de material.
10.f4! De4 11.Bd3
Ganhando
"tempo". A dama negra não tem retirada na coluna do rei nem nas
diagonais que são dominadas pelos bispos. Restam somente duas jogadas: Ir a
casa 'a4' ou tomar o peão de 'g2'. Jogar 11...Da4 seria inócuo. Opta por..
11...Dxg2 12.Tg1 Dxh2
Steinitz
jogou aqui com critério "sanchesco". Preferiu pensar: "se morrer
será com a barriga cheia", porque do contrário haveria previsto a
seguinte continuação, onde se perde a dama, porém acaba compensada
amplamente: [12...Cxd5 13.Txg2 se (13.Cxd5 segue 13...Dxd5) 13...Cxe3 14.Df3
Cxg2+ 15.Dxg2 Bxc7 e se haveria trocado a dama e um cavalo, por dois cavalos, um
bispo e uma torre, o que, como dissemos, é compensação mais que suficiente.
É
claro que o branco seguiria com a iniciativa e o negro tem colocadas
defeituosamente a maioria de suas peças, porém isto seria sempre preferível
aos apertos que vem depois de 12. ..D x h2.
13.Df3 Cxd5
O
branco ameaçava 14.Th1 ganhando a dama, que não tem retirada. Agora se se joga
17. Th1 o negro contestaria Dxh1 e logo Cxd5, trocando a dama por dois cavalos e
torre.
14.Cxd5 Dh6 15.0-0-0 f5
O
negro entrega um peão para evitar (momentaneamente) o avanço do peão branco
de 'f' , o que seria fatal, pois a dama negra não teria jogada satisfatória
(se Dh4 seguiria Bg5 ganhando a dama). Dito movimento tem o objetivo de ganhar
tempos e preparar a "escapada" da dama. AQUI SE APRECIA O ÚTIL E
NECESSÁRIO QUE E MANTER O "TEMPO", O MATERIAL, ESPAÇO E A
INICIATIVA.
16.Bxf5 g6 17.Cf6!
O
branco continua disposto a não ceder a iniciativa. [se 17...gxf5 18.Txd6 etc.]
17...Df8
Defende
seu bispo e ameaça o cavalo e o bispo do contrario.
18.Bxd7! Dxf6
Não
é possível 18...Bxd7 porque segue 19.Cxd7 Rxd7 20.Bc5 ganhando. A idéia do
branco é abrir a linha da dama para sua torre.
19.Bxc6 Rc7
Não
era possível bxc6 devido a Dxc6 ameaçando a torre e tomando e o bispo da casa
'd6'. Aqui o negro joga tranqüilo e consegue uma posição aproximadamente
igual.
Transcorreram-se
somente 19 lances, sumamente violentos; presenciamos uma luta de morte pela
iniciativa e se poderia dizer que chegamos ao '"final" da abertura.
Seria
este o momento de fazer um balanço. Vemos que cada lado conserva quatro peões,
dois bispos, duas torres e a dama. Ou seja, "materialmente" estão
iguais. Onde está, pois, a vantagem do branco, que não cedeu a iniciativa e
que ainda a conserva?
Resposta:
na maior mobilidade de suas peças e, sobretudo, na colocação do rei. Enquanto
o rei negro esta numa situação precária, o rei branco esta a salvo de possíveis
ataques. Trata-se, pois, de explorar essa diferença.
Dissemos
que a abertura chegou ao "final" e logo veremos a confirmação disso,
porque as jogadas que seguem são mais "posicionais" (para voltar a
engrenar logo a iniciativa).
20.Be4 Tf8 21.Tgf1 Bd7 22.Td3
Não
era bom 22.Bxb7!? devido a 22...Tab8! atuando em uma coluna aberta e
pressionando o peão de 'b2', que já está ameaçado pela dama, o que constitui
um sério perigo.
22...Bc6 23.Bxc6 bxc6 24.Bd2!
A
que se propõe este bispo? Dominar a grande diagonal de casas negras que vai de
'a1' a 'h8' e, se for possível, colocar-se em 'e5', apoiando seu peão isolado
pela frente; mas, para isso, "disfarça" seu propósito com outra
jogada que não chegará a realizar: ameaça dar xeque ao rei desde 'a5' a fim
de levá-lo às colunas da ala da dama, onde estaria muito exposto ao
"fogo" das torres e da dama.
O
negro prefere se defender deste xeque e procura levar seu bispo a casa 'b6',
tratando de trocá-lo ali, com o que levaria seu peão de 'a7' a 'b6' mais ao
centro, onde ajudaria na proteção de seu rei.
24...Bc5
Talvez
fosse melhor 24...a5.
25.Bc3 Df7 26.Be5+ Tb7 27.Tfd1
Em
vez de dobrar suas torres, o branco poderia ter jogado 27.Tb3+ porém isso
favoreceria ao rival, que cobriria com 27...Bb6.
27...Dc4
Não
devemos esquecer que: OS XEQUES DEVEM SER RESERVADOS. No momento oportuno se
pode "salvar" uma peça ameaçada com um xeque; não façamos como os
principiantes que "XEQUE QUE VÊEM, XEQUE QUE DÃO". Não serve
27...Dxa2 porque se expõe a um ataque perigoso do branco. 28.Tb3+ A) 28...Ra6
29.Dxc6+ Bb6 (29...Ra5 30.Db5#) 30.Ta3+ ganhando a dama.; B) 28...Rc8 29.Dxc6#
28.Tc3 Db5 29.Tb3 Bb4 30.Td7+ Rb6
Se
30...Rc8 31.Txb4 Dxb4 32.Dxc6#; Ou 30...Ra6 31.Txb4 Dxb4 32.Dxc6+ Db6 33.Da4+
Da5 34.Td6+ ganhando a Dama.
31.Bc7+ Ra6
31...Rb7
não serve devido a 32.Txb4 Dxb4 33.Ba5+ ganhando a Dama.
32.Txb4!
E
ganham porque se
32...Dxb4 33.Dxc6+
RESULTADO:
Vimos
a enorme importância que tem a INICIATIVA; daí se depreende que não devemos
cedê-la nunca e, se não a temos, devemos tomá-la.
Quando
nos atacam um peão, em vez da defesa "chata", busquemos a jogada que
ataque uma peça contraria; se nos atacam uma peça menor, ataquemos o rei ou a
dama adversária; se nos atacam a dama, busquemos atacar o rei. E recordemos
este axioma: "QUANDO SE PODE MANTER A INICIATIVA, GANHA-SE" Ate a próxima
lição, amigos leitores.
Agradeço-lhes
qualquer correção e sugestão.
Professor.
Erich Gonzaleze - mail: edgonzal@luz.ve
(Tradução:
Elias Muniz)
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