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Lição
no visor.>>>
Amigos
leitores desta pagina. Novamente com vocês, com outra lição. Muitíssimo
obrigado por seus comentários sobre as mesmas. Sudações e um abraço desde
minha pátria Bolivariana, minha querida VENEZUELA.
LIÇÃO
13 AS PEÇAS INDEFESAS
Vamos
tratar de um tema que se presta para muitas manobras e tem aplicação em quase
todas as partidas. Refiro-me às peças indefesas e às peças mal defendidas. São
dois conceitos parecidos porém não iguais. Não é necessário dizer que uma
peça indefesa é aquela que não tem apoio de nenhuma outra. Porém, uma peça
mal defendida é a que está defendida, porém não o suficiente e pode,
portanto, ser atacada e capturada. Por exemplo: uma peça mal defendida seria a
que estivesse apoiada por um peão ou outra peça "cravada"; de
maneira que, se atacada, essa peça mal defendida, seu apoio é nulo, desde que
se possa tomar e o adversário não possa retomar com a "cravada".
A
PEÇA INDEFESA SE APRESENTA EM QUASE TODAS AS PARTIDAS. Nas aberturas, os
aficionados tratam de desenvolver suas peças e se esquecem que estas podem
ficar sem apoio. Isso só dá tema para combinações do rival. Há que movê-las
harmonicamente, sustentando-as entre si. E aquele que não o faz, sofrem com
combinações que lhes ganham uma peça. Depois dirá: "Me equivoquei; se não
me esqueço da peça que estava no ar teria ganho". Porém, a verdade é
que isso não teria ocorrido se não houvesse deixado a peça indefesa.
E
o que ocorre aos aficionados costuma passar também com os mestres. Até os
mestres "entram" nestes caminhos. Claro que o que sabe menos
"entrará" mais vezes. A partida que reproduziremos foi jugada em
1928, no torneio de Baden-Baden, entre os mestres Bogoljubow e Thomas, e começou
com um Gambito de dama, que já comentamos em lições anteriores.
BRANCAS:
BOGOLJUBOW
NEGRAS
THOMAS
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3
Dissemos,
outras vezes, que mover o cavalo do rei a 'f3' era melhor no segundo lance,
antes de c4, porque limitava as variantes do negro. Bogoljubow com um
procedimento inverso obtém a mesma posição. Por que move agora este cavalo e
não o cavalo dama a c3? Por um estudo que ele fez do gambito de dama e que leva
seu nome: "Defesa Bogoljubow": Se tivesse feito 3.Cc3 as negras
poderiam jogar (se quisesse) 3...Bb4 cravando este cavalo e entrando na defesa
Nimzovitsch, que comentamos em outra lição.
3...d5
Porém
ao não ter desenvolvido o cavalo dama, caso as negras joguem: 3...Bb4+ que
constitui a citada defesa Bogoljubow, a coisa é diferente porque as brancas
podem eleger entre três jogadas: 4.Bd2, 4.Cbd2 ou 4.Cc3 (não é recomendável
4.Cfd2 porque perde um tempo). Dessas três possibilidades, Bogoljubow
recomendava 4.Bd2 seguindo Bxd2; visto que se o bispo negro se retira terá
perdido um tempo.] Entretanto, Thomas não "entrou" nessa defesa , não
dá este "gosto" a seu adversário, anda que mais não seja, pelo que
dissemos: É BOA TÁCTICA NÃO DAR "GOSTO" AO RIVAL
4.Cc3
Já
não há mais defesa Bogoljubow.
4...c6
Isto
é um pouco tímido, como idéia geral. Nesta posição, o negro pode escolher
entre: c5, Cbd7 ou Be7. Fez c6 para ver como o branco respondia, talvez com o
propósito de jogar uma Cambridge-Springs caso seguisse 5.Bg5. Esta defesa
consiste em levar a dama negra à casa a5 e o bispo a b4, pressionando o cavalo
"cravado" para, logo, fazer dxc4 e há muitas chances de capturar o
bispo de g5. Não podemos nos deter neste estudo. Diremos somente que a melhor
maneira de evitar a Cambridge-Springs é jogar 5.e3 (como fez Bogoljubow) e já
não há ameaças fortes sobre o cavalo cravado porque este se descrava
facilmente com Bd2.
5.e3 Cbd7
Espera.
6.Bd3
Segue
o plano conhecido.
6...dxc4
NO
GAMBITO DA DAMA, HÁ QUE ESPERAR O MOMENTO EM QUE AS BRANCAS DESENVOLVEM O BISPO
REI PARA TOMAR O PEÃO DO BISPO DAMA. COM ISSO, ENQUANTO RETOMAM O PEÃO COM O
BISPO, AS BRANCAS PERDEM UM TEMPO.
Por
haver sabido esperar, as negras ganham um tempo, que nesta abertura é só uma
pequena vantagem, como veremos mais adiante.
7.Bxc4 b5
A
VARIANTE DE MERANO. Sabemos que na abertura de peão dama o bispo dama das
negras não entra em jogo facilmente, devido ao fato de que suas diagonais estão
interrompidas pelo peão de e6 e pelo peão de b7. Antigamente, costumava-se
jogar 7...b6 para logo desenvolver este bispo por fiancheto. Porém, no torneio
de Merano, surgiu esta variante (7...b5) com a qual o bispo dama negro poderá
logo desenvolver-se por fiancheto, enquanto ganha um tempo, já que aproveita a
má situação do bispo rei branco (depois de tomar Bxc4). Onde pode ir este
bispo? A "b3" ou voltar para onde estava (Bd3), que é a mais usual,
dado que dali ameaça o ponto h7.
8.Bd3
Dizíamos
que o branco perdeu outro tempo e, com este, já são 2 os tempos perdidos, pois
primeiro levou seu bispo rei a d3, logo, com o mesmo bispo, toma um peão em c4
e agora volta a d3. Quer dizer que necessitou de 3 tempos para instalar mais ou
menos bem seu bispo rei em d3. Porém, tudo isto é aparente. Porque o problema
das negras ainda não está resolvido. Se desenvolvem seu bispo dama a b7, sua ação
estará interrompida por seu próprio peão de c6. Então, terá que avançar
este peão para que o bispo "jogue"; mas se avançam o peão a c5, o
peão de b5 fica sem defesa, o que obriga a perder um tempo em defendê-lo
primeiro com a6. É um tempo que o branco recuperará e que, somado ao que será
usado em avançar o peão bispo dama, serão dois.
Enfim,
seria necessário muito espaço para ver todas as variantes e, sobretudo, saber
a última novidade, a última moda. Vocês devem ter observado que as mulheres
saem de repente à rua levando chapéus pontiagudos, depois achatados, logo, de
cores vivas, mais tarde, de cores opacas, etc. Nós rimos desses chapéus, porém
elas não nos levam em consideração e os usam Por que? Porque estão na moda!
Bem: NAS VARIANTES ENXADRÍSTICAS HÁ MAIS MODAS QUE NOS CHAPÉUS FEMININOS.
É raro vocês me ouvirem dizer: "Esta variante é melhor do que aquela
outra". Não. De mim ouvirão "Esta variante está mais na moda do que
essa outra" o caso que hoje veremos é um deles.
8...a6
Tempo
perdido, mas necessário.
9.e4
Antes
de se jogar esta partida, estava na moda fazer 9.0-0 ou até 9.De2, porém,
depois entrou na moda 9.e4, que aparentemente domina mais casas centrais e ameaça
e5, desenvolvendo o cavalo de f6. Porém o negro não é "manco" e
respondeu:
9...c5
As
negras perderam outro tempo? Aparentemente já se equilibraram os tempos
perdidos por cada lado. Agora se ameaça o peão de d4 branco e, se segue e5, é
evidente que mais adiante o peão de d4 será tomado, ficando muito fraco o peão
rei branco. Porém, precisamente esta partida deu origem a uma série interminável
de discussões sobre a força da Variante de Merano porque agora se produz uma
situação interessantíssima.
10.e5!?
Ameaça
o cavalo de f6, porém as negras têm uma série de continuações também
violentas, sobre as quais ainda não se disse a última palavra. Dissemos que
esta partida foi jogada no torneio de Baden - Baden de 1928 e, desde então, já
transcorreram uns quantos anos. Ainda assim não se sabe se 10.e5 é boa ou não.
As negras replicam:
10...cxd4
Por
sua vez, estão ameaçando o cavalo branco de c3. Os teóricos, até o ano 1930,
opinavam que não era bom seguir 11.Cf3xd4 porque as negras fazem Cxe5 e ficam
com um peão a mais. Então seria melhor 11.exf7, porém as negras também
fariam dxc3, e para retomar este peão seria necessário debilitar o flanco
dama, pois bxc3 deixa dos peões isolados.
Ou
seja, que ficariam igual em material, porém as brancas com dois peões
isolados. Nessas discussões os "sabios" se perderam 5 anos.
Analisando, analisando, houve quem opinou que melhor era tirar o cavalo branco a
e2 ou a e4, porém então as negras jogariam 11.......Cg4 e se 12.Cxd4, fariam
Cg4xe5 ou, também, pudessem Cd7xe5, apoiando o outro cavalo.
Enfim,
um trabalho bárbaro. De tudo isso, nasceu outra idéia, que é a última moda,
o último alarido. Dizem "Já que se nos decidirmos a jogar 11.exf6,
devemos nos resignarmos a perder o cavalo de c3 (debilitando esse flanco), o
melhor seria entregar, desde já, este cavalo, porém a custa de um peão
inimigo e debilitando seu flanco dama". Assim:
11.Cxb5
Aqui
também se produzem uma série de sub-variantes que não podemos nos deter a
analisar. Se os teóricos gastaram 13 anos e ainda não o resolveram, mal poderíamos
resolvê-los nós em poucos minutos. O certo é que há posições onde acabam
equilibrados (5 peões contra 5) e outras onde o negro fica com os dois peões
centrais, porém as brancas com dois peões "passados" no flanco dama.
11...axb5 12.exf6
O
peão em b5 do negro ficou indefeso e aqui já poderíamos falar de peças
indefesas, ainda quando, ao dizer "peças", não nos referimos aos peões,
senão às outras mais "gordas" (claro que um peão é uma das 32 peças
do jogo e também lhe cabe este qualificativo). Se cai este peão, restarão 5
peões contra 5, já que o outro peão branco avançado também cairá.
12...e5
Se
as negras tivessem jogado, sem pensar, 12...Dxf6, então 13.Bg5 e perdem a dama.
13.fxg7 Bxg7
Se
agora cai o peão de b5, restam 5 peões brancos contra 4 negros. Porém isso é
uma cilada.
14.De2
Se
14.Bxb5 Da5+ e morre esse bispo indefeso. Quer dizer: ANTES DE POR UMA PEÇA
INDEFESA HÁ QUE VER MUITO BEM O QUE PODE VIR. Foi dado um apoio ao bispo
para o momento em que tome o peão de b5 e, além disso, ameaça-se outra coisa:
tomar o peão negro de e5 com o cavalo porque, como o peão de e5 está cravado,
não poderá retomar. É um caso de "peça mal defendida". O negro
trata, então, de descravar seu peão de e5, com o qual defende indiretamente
seu peão.
14...De7 15.0-0
Podia
tomar o peão de b5, porém isto é mais seguro. Tira seu rei de trás da dama,
por algum possível ataque e pelo que veremos:
15...Bb7
Jogada
aparente. O negro desenvolve seu bispo dama, porém o deixa indefeso. Isso pode
dar lugar a combinações. E se agregamos que também o bispo rei negro está
indefeso, convenhamos que são detalhes muito importantes, que não escaparão a
um jogador experimentado, como Bogoljubow.
16.Te1
De
novo se ameaça ganhar o peão de d4. Por que? Porque a dama está mal
defendida. Atacam-na (através de e5) duas peças e só está defendida por uma;
seu rei. Mais, dissemos muitas vezes que é mau ter o rei ou a dama na mesma
coluna na qual, na outra ponta, está uma torre; e aqui a situação é mais
grave porque estão os dois. Se um sai, o outro acaba "preso".
16...Dd6
Escapando
e defendendo. Porém já não é suficiente. Para a continuação do branco, a
idéia já es fácil de captar. Recordemos o que dissemos ao falar das casas
conjugadas. Uma casa crítica para o cavalo branco seria f5, de onde ataca
simultaneamente a dama e o bispo indefeso de g7. Portanto, o lance "sai por
si só":
17.Ch4
Para
ir a f5.
17...Rf8
O
rei negro escapa da coluna onde estão dama e torre inimigas, ao mesmo tempo em
que defende um bispo indefeso. Podia ter rocado, porém seria fraco porque o
cavalo branco iria a f5 e logo "entram" no flanco rei os dois bispos,
a dama e, até possivelmente uma torre, destruindo o roque e ganhando por ataque
de mate. Tampouco se pode falar de roque grande, pois isso seria um suicídio, já
que esse flanco está completamente desguarnecido. Não se pode impedir:
18.Cf5 Df6
O
bispo em g7 acabou bem defendido porém, agora, estão "no ar" o
cavalo de d7 e o bispo de b7. Então as brancas poderão especular sobre estas
peças indefesas.
19.Bd2
A
ameaça é 20.Bb4+ e Cd6+ ou Ce7+ (de acordo com o movimento do rei negro), com
ganhos decisivos.
19...Te8 20.Dg4
Não
só é um ataque ao flanco rei, senão que as brancas estão combinando: através
de seu cavalo, estão ameaçando o cavalo negro indefeso. No momento oportuno
podem fazer Cxg7 e logo Dxd7, trocando uma peça por duas.
20...h5 21.Dh3
Mantém
ameaças.
21...Bd5
Aqui
"parece" que o negro se equivocou. Porque poderia vir a jogada que já
explicamos, na qual as brancas ganham uma peça. "Parece" que não a
viu, porém está tirando um lance; em bom crioulo: "se faz de burro".
QUANDO NOSSO RIVAL NOS FAZ UM "REGALO" HÁ QUE DESCONFIAR.
Devemos olhar muito bem antes de tomar e não esqueçamos que o outro jogador
também tem dois olhos para ver e um cérebro para pensar. Somente deve-se tomar
depois de uma longa análise.
22.Bxb5
Vejamos:
se 22.Cxg7 Dxg7 e a 23.Dxd7 Dxg2# De maneira que não se pode ganhar uma peça.
Somente se poderia trocar o cavalo de f5 pelo bispo de g7. Porém as brancas
optam por tomar o peão de b5, que há tempo está indefeso, com o qual também
ameaçam o cavalo negro indefeso.
22...Be6
Esta
jogada é defensiva e ofensiva, já que apóia seu cavalo indefeso e ataca duas
vezes o cavalo branco. Se as brancas o defendem, perdem a iniciativa. E aqui se
vê o que é ter um xeque a disposição; enquanto o rei é movido, o branco
segue com a iniciativa.
23.Da3+ Rg8
Única.
24.Cd6
Ameaça
a torre.
24...Td8
A
melhor. Defende o cavalo negro, que era a pedra de toque de todo o ataque
branco.
25.Ce4
Este
cavalo ataca a dama e fica mais ou menos "centralizado". A dama negra
está defendendo sua torre de d8; caso saia dessa diagonal, deixará a mesma
indefesa e permitirá a "entrada" com a dama branca em e7, ameaçando
duas vezes o cavalo, que está defendido só uma vez.
25...Dg6
Se
25...Dh4 26.Bg5 e se ganha a torre. Tem que fugir daí
26.De7
Entrou
a dama na casa que dissemos. A torre deve escapar e, onde quer que vá, deixa o
cavalo indefeso, que se pode matar com o bispo.
26...Ta8
Se
26...Rh7 segue 27.Cg5+ e se ganha facilmente. Com 26...Bf6 perde-se um peão e o
negro fica destroçado porque 27.Cxf6+ Dxf6 28.Dxf6 Cxf6 29.Txe5 e o branco terá
dois peões a mais e a possibilidade de tomar outros.
Não
havia mais remédio a não ser mover a torre, perdendo o cavalo que, POR
ESTAR INDEFESO OU MAL DEFENDIDO, CONSTITUIU A BASE DE TODAS AS COMBINAÇÕES DO
BRANCO. Claro que as negras estão preparando outro lance, pois quando venha
27.....BxC farão Bf8, atacando a dama, que deixaria indefeso o bispo e as
negras poderiam recuperar a peça perdida. Porém Bogoljubow viu mais além e
tomou o cavalo.
27.Bxd7 Bf8 28.Dg5
Com
isto se defende indiretamente o bispo de d7.
28...Dxg5
Se
28...Bxd7 29.Dxg6+ fxg6 y 30.Cf6+ retomando o bispo. O mesmo também se pode ver
sem a troca de damas porque a dama negra está cravada. As negras
"tiram" outro lance:
29.Bxg5
Se
as brancas se equivocam e fazem 29.Cxg5, então 29...Bxd7 recuperando sua peça.
29...Bxd7 30.Cf6+ Rg7 31.Cxd7 e as negras abandonam.
Caiu
esta outra peça indefesa, ficando o branco com uma peça a mais. Há também um
peão de diferença e a ameaça de Bf6+.
Por
que perderam as negras? Porque durante a partida (depois da abertura) teve uma série
de peças indefesas, que o branco tratou de aproveitar e o conseguiu. Isto
acontece em mil e uma partidas. Vocês verão este tema em quase todas.
Um
conselho: ANTES DE DEIXAR UMA PEÇA INDEFESA, HÁ QUE PENSÁ-LO MUITO E
CALCULAR O QUE SEGUE PORQUE, DO CONTRÁRIO, LOGO TERÁ QUE PERDER TEMPOS EM MOVÊ-LAS
OUTRA VEZ OU EM DEFENDÊ-LAS.
Bem,
amigos, é tudo pelo momento. Logo terão a lição 14. Espero, como sempre,
suas opiniões e correções a respeito. Até breve!
Prof.
Erich González
E-mail:
edgonzal@luz.ve
TRANSCRIÇÃO
Pelo Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela,
das LIÇÕES DO Dr RAFAEL BENSADÓN, EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO
CARRANZA.
(Tradução:
Anderson de Jesus)
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