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A Influência da diáspora enxadrística cubana
  Postado em Thu 05 Feb 2009 por torre21 (1200 acessos)

MI Nelson Pinal Borges


“Pátria é humanidade”.

(José Martí)



Cuba é uma reconhecida potência desportiva mundial. Os resultados dos últimos 25 anos nos mais importantes eventos desportivos internacionais confirmam isso. Seja no Beisebol, Boxe, Voleibol, Judô ou Atletismo, o esporte cubano marca caminhos a serem seguidos. E no Xadrez a maior das Antilhas também é um exemplo e um modelo a ser copiado pelos países interessados em desenvolver o Jogo Ciência.

Com uma tradição enxadrística de mais de um século e meio, e o ex-Campeão Mundial José Raúl Capablanca como sua máxima expressão, Cuba obteve dois Campeões Mundiais Juvenis, excelentes resultados nas Olimpíadas e Copas Mundiais, conquistou Campeonatos Pan-americanos por Equipes e Individual –em 2005, o GM Lázaro Bruzón ganhou brilhantemente o Campeonato Pan-americano, classificatório para o Mundial da FIDE, onde terminou entre os últimos 32 finalistas- mais de 20 jogadores formados em Cuba se graduaram Grandes Mestres, incluindo várias mulheres, e uma centena de Mestres Internacionais. Nos últimos anos, os Grandes Mestres L. Bruzón e Lenier Domínguez obtiveram formidáveis desempenhos, que lhes permitiram consolidar o coeficiente ELO acima dos 2630 pontos. Além disso, podemos lembrar da Simultânea Gigante de 13,000 tabuleiros, realizada em abril de 2004 na cidade de Santa Clara, que constituiu em recorde mundial e uma mostra do apoio do Governo e do Estado cubanos ao Jogo Ciência nacional.


GM Lázaro Bruzón

É possível afirmar-se que desde começos do século XX Cuba contou com jogadores de bom nível; já no ano de 1939, na Olimpíada Mundial de Buenos Aires, a maior das Antilhas terminou em 11º lugar, entre 26 países, com uma equipe integrada por J. R. Capablanca, R. Blanco, M. Alemán A. López e F. Planas. Na época pós Capablanca e antes do ano de 1959, destacaram-se, entre outros Mestres, Rosendo Romero, Juan González, Eldis Cobo, Eleazar Jiménez, Rogelio Ortega e Gilberto García, que obtiveram resultados aceitáveis em Torneios Internacionais.

No entanto, é a partir do ano 1959, que com o pleno respaldo do Governo ao esporte – O esporte é um direito do povo - uma correta política de massificação e um amplo programa de competição em todos os níveis, forjou-se o desenvolvimento do Xadrez cubano. Deve-se assinalar que a organização dos Torneios Capablanca in Memoriam a partir de 1962 e a realização da Olimpíada Mundial de Havana em 1966 incidiram em grande parte num desenvolvimento quantitativo e qualitativo e foram decisivos para que o Xadrez se convertesse num esporte de grande interesse popular; sua divulgação por vários meios de imprensa –com a Revista Jaque Mate em primeira ordem- foi muito importante na etapa inicial de desenvolvimento.

Todo este panorama foi determinante para o contínuo avanço do Jogo Ciência cubano. A base bem cimentada foi aproveitada pelas extraordinárias capacidades organizativas dos Presidentes da FCA, José Luis Barreras (recentemente falecido), entre os anos 1959 e 1971, e Jorge Veja, de 1971 a 1982, que conseguiram “construir” o salto de qualidade do Xadrez nacional, que, encabeçado pelos Grandes Mestres Guillermo García –falecido em 1990-, Amador Rodríguez e Jesús Nogueiras, conseguiu, desde 1975, resultados de relevância internacional

Posteriormente, com a oficialização estatal do Ensino do Xadrez nas Escolas Primárias, em 1989, e a criação do Instituto Superior Latino-americano de Xadrez, em 1992, propiciou-se a afloração de uma abundancia de talentosos enxadristas que, descobertos em tenra idade e formados sob exitosas Metodologias de treinamento, converteram-se, em poucos anos, em jogadores de grande nível. É a plêiade de jovens que, liderada por Bruzón, Lenier, Neuris Delgado e Yunieski Quesada, constituem um natural e superior relevo dos Grandes Mestres Jesús Nogueiras, Reinaldo Vera, Walter Arencibia, Román Hernández e Silvino García.

Simultaneamente ao auge do Xadrez cubano dos anos 90 e com a exportação de treinadores e especialistas a vários países através dos Convênios de Colaboração do ILHA e a FCA, bem como por outras vias, alguns deles estabeleceram sua residência no exterior. Desde esses anos, já era comum ver o fluxo migratório de desportistas entre diferentes países. Víamos com naturalidade o mexicano Hugo Sánchez jogar na Espanha, ou Diego Maradona, na Itália. Ou seja, aparentemente, para os desportistas, as fronteiras desaparecem cada vez mais; é um fenômeno migratório fundamentado em fatores econômicos dentro de uma Aldeia Global cada vez mais intercomunicada e cosmopolita.

A migração de enxadristas traz bons frutos para as Federações, que têm possibilidades de aproveitar as “capacidades importadas” para desenvolver o Jogo Ciência no país. Basta lembrar alguns exemplos para confirmar o quanto pode ser positivo esse fluxo enxadrístico: o xadrez argentino se beneficiou enormemente com os Mestres que ficaram residindo no país por ocasião da Olimpíada de 1939; o Xadrez suíço se superou a partir da chegada do GM Víctor Korchnoi, assim como o francês com a assistência permanente do ex-Campeão Mundial Boris Spasski, ou o espanhol com a chegada do GM A. Shirov e outros tantos jogadores de alto nível que adotaram a Espanha como segunda Pátria. Tanto o Jogo Ciência norte-americano como o israelense também se superaram qualitativamente com a invasão gradual de jogadores ex-soviéticos. Essa positiva influência enxadrística é um fenômeno cotidiano que acontece também na Música, na Pintura, na Medicina, etc.

Com a Diáspora enxadrística cubana, que além de jogadores inclui também treinadores, árbitros e jornalistas especializados, ocorreu algo parecido. Sua positiva influência no desenvolvimento do Nobre Jogo de outros países é uma realidade fácil de compreender: só o fato de que jogadores de qualquer nível se enfrentem e compartilhem experiências com Mestres chegados de países com grande tradição enxadrística e formados com uma ampla base de conhecimentos e experiências, cria uma atmosfera especial que fomenta a qualidade. Além disso, o intercâmbio de conhecimentos e o atrito constante criam um nível de rivalidade e competição que implica num espírito de superação, revertendo num aumento da qualidade individual e grupal.

Mas não só com a confrontação diária os enxadristas cubanos dispersos pelo mundo exerceram uma benéfica influência, transmitida de diferentes formas. Também através da Docência enxadrística e da divulgação do Xadrez por diferentes meios colaboraram com o desenvolvimento do Jogo Ciência em outros países.

Dezenas de casos podem ser mencionados para ilustrar isso. No entanto, merece ser destacado o trabalho do GM Amador Rodríguez na Escola Internacional de Xadrez de Miguel Illescas –EDAMI- de Barcelona, do MI Ramón Horta na Escola de Xadrez de Yucatán, México -EDARAYS- e do MI Blas Lugo em Miami, Estados Unidos, este último transformando, junto com outros compatriotas, o ambiente desportivo de uma cidade bem mais pouco afeita aos xeques de Fischer e Kasparov.

Enxadristas cubanos que residem em outros países.*

1.-Amador Rodríguez - GM Espanha
2.-Julio Becerra - GM Estados Unidos
3.-Juan C. González - GM México
4.-Lexis Ortega - GM Itália
5.-Alexis Cabrera - GM Espanha
6.-Irisberto Herrera - GM Espanha
7.-Blas Lugo - MI ½ GM Estados Unidos
8.-Miguel Andrés - MI Argentina
9.-Evelio Otero - MI Estados Unidos
10.-Brucy López - MI Estados Unidos
11-Guillermo Estévez - MI Estados Unidos
12.-Renier González - MI Estados Unidos
13.-Emilio Pupo - MI Estados Unidos
14.-Juan J. Arencibia - MI Espanha
15.-Héctor Elizalt - MI Espanha
16.-Julio Boudy - MI Espanha
17-Renier Vázquez - MI Espanha
18.-Alberto Rivera - MI Colômbia
19.-Dionisio Aldama - MI México
20.-Roberto Calderín - MI Guatemala
21.-Nelson Pinal - MI Rep. Dominicana
22.-Ramón Huerta - MI México
23.-Héctor Leyva - MI Guatemala
24.-Alejandro Moreno - MI Equador
25.-Miguel Medina MI Ecuador
26.-Carlos M. López - MI Colômbia
27.-José J. Hdez - MI Chile
28.-Renier Castellanos - MI Chile
29.-Alberto Barreras - MI Venezuela
30.-Pedro J. García - MF Venezuela
31-Pedro Montiel - MF Venezuela (falecido)
32.-Marisela Palau MIF - Colômbia
33.-Yudania Hernández - MIF Espanha
34.-Niala Collazo - MIF Espanha
35.-Mairelys Delgado - MIF Espanha
36.-Marcel Martínez - MF Estados Unidos
37.-Alberto Hernández - MF Estados Unidos
38.-Luis Barredo - MF Estados Unidos
39.-Benjamín Ferrera - EN Estados Unidos (falecido)
40.-Waldo Serrano - EN (Jornalista) Estados Unidos
41.-Jesús Suárez - EN (Jornalista) Estados Unidos
42.-Miguel A. Sánchez - (Jornalista) Estados Unidos
43.-Jorge Dauvar - (Jornalista) ?
44.-Alfredo Bueno - MF Estados Unidos
45.-José L. Molina - EP Bolívia
46.-Rigoberto Alderete - EN Espanha
47.-Jorge Vega - AI México
48.-Vicente Allosa - AI Estados Unidos
49.-Romeo Lobo - AI Estados Unidos
50.-Robert Fleitas - AI Estados Unidos (falecido)
51.-Francisco A. Pino AI Rep. Dominicana (falecido)
52.-Juan González - MN Estados Unidos
53.-Nelson González - MF Estados Unidos
54.-Javier Torres - MF Estados Unidos
55.-Dagoberto Díaz - EN Estados Unidos
56.-Iván Delgado - MF Estados Unidos
57.-Raúl Machado - EN Estados Unidos
58.-Julio Espinosa - MF Colômbia
59.-Maidelin Lugo - (Treinadora) Estados Unidos
60.-Luis Rabassa - EN Estados Unidos
61.-Alvaro Blanco - MF México
62.-Yosvany Pérez - EN Espanha
63.-Angel Hernández - EN Paraguai
64.-Manuel Valdivia - MF Suiça
65.-Pablo Canalejo - EN México



* Nota: Pode ser que faltem jogadores na lista.

EN: Experiente Nacional

EP: Experiente Estadual



Nelson Pinal Borges, MI
Santo Domingo, 05/12/05.



Artigos do MI Nelson Pinal em espanhol na web Ajedrez Espectacular

Fonte: Ajedrez Espectacular

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Tradução: Anderson de Jesus

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