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Protejamos nosso xadrez
  Postado em Tue 10 Feb 2009 por torre21 (973 acessos)

MI Nelson Pinal Borges



“Alguma vez, os homens tiveram que ser semideuses; do contrário, não teriam inventado o Xadrez”.

(Alexander Alekhine, ex-campeão mundial)



Desde seu surgimento, há mais de três séculos até nossos dias, o Xadrez é um só; desde que no final da Idade Média recebeu sua denominação atual, até começos do século XXI, o Xadrez foi o mesmo; Não obstante as variações em suas leis, figuras e regulamentos, o Xadrez continuou sendo único, para regozijo de seus amantes.

O Xadrez tem uma só História; pratica-se no Norte e no Sul, na longínqua Sibéria e no pobre Haiti. É o Xadrez solene do Torneio de Linares e o que jogamos por hobby num avião, num parque ou numa formosa praia caribenha.

É o que jogou Alejandro Magno na Macedônia e Napoleão em Santa Elena. O dos escritores W. Shakespeare, J. W. Goethe e L . Tolstoi.


León Tolstoi (esquerda) jogando uma partida com Chretkov

O que teve entre seus aficionados ao Papa León XIII e JOÃO PAULO II. É o Xadrez musical de F. Mendelssohn, S. Prokofiev e R. Schumann. De cientistas como A. Einstein e J. R Oppenheimer, ou de políticos como A. Lincoln, M. Robespierre e Fidel Castro.


Bobby Fischer com Fidel Castro durante a Olimpíada de Havana de 1966

É o mesmo Xadrez dos espanhóis Alfonso X, o Sábio, Lucena e Ruy López de Segura; do árabe Stamma, do francês Philidor e do norte-americano Morphy, todos precursores do Xadrez em diferentes épocas e dignos representantes terrenos da Deusa Caissa.


Ruy López de Segura


André Danican Philidor


Paul Charles Morphy

É o mesmo Xadrez que reconheceu Steinitz como primeiro Campeão Mundial oficial, o que nos legou Lasker como o grande lutador dentro do tabuleiro, o artista Alekhine e o extraordinário Botvinnik; é o Xadrez que permitiu as combinações de Tal, a solidez de Petrosian e o cavalheirismo de Spasski. É o Xadrez que se engalana com as partidas de Fischer, Karpov e Anand, e que levou a seu cume o insuperável Kasparov.

É o Xadrez que motivou Capablanca aos 4 anos de idade, o que praticava Smyslov aos 84, ou o que destaca a Korchnoi com 74 anos. É o mesmo Xadrez que viu decorrer gerações e gerações de Mestres distintos, aficionados apaixonados e diretores capazes de ter elevado ao Nobre Jogo à imortalidade.

O Xadrez é um só, com muitos mais dons que pecados, com uma luz que cativa católicos e muçulmanos, budistas, confucionistas e taoístas, hinduistas e yorubas; É o Xadrez dos ricos e poderosos, o dos miseráveis descalçados, enfim, o que praticam milhões de habitantes na Aldeia Global onde a Humanidade são seus cidadãos.

É o Xadrez que admiramos quando conhecemos seus aportes ao desenvolvimento desportivo e cultural da Humanidade, quando vemos sua contribuição à formação integral do Ser Humano e à Sociedade. Aplaudimos quando compreendemos que entre suas próximas tarefas consta o de consolidar-se como um paradigma para a investigação científica sobre estratégias de interação e busca da tomada de decisões e no manejo de variáveis para atingir as melhores opções em diferentes ramos da Economia.

Celebramos quando apreciamos a crescente importância que tomou o Jogo Ciência na vida moderna, cada vez mais inter-relacionado com o desenvolvimento tecnológico atual. Vemos como se multiplica sua esfera de influência na Educação, na Pedagogia, na Cultura, na Cibernética, na Psicologia, na Economia e até na Política. Seu prestígio e importância crescem a cada dia entre profissionais e políticos, artistas e gente comum, entre altos executivos e pessoas de condição econômica humilde.

Alegramo-nos quando distinguimos uma atividade enxadrística onde participam 13000 pessoas ao mesmo tempo -Simultânea de Xadrez em Santa Clara, Cuba/2004, ou quando vemos o projeto de construir uma Cidade do Xadrez em Dubai; admiramo-nos ao ver Kasparov enfrentar-se a super-computadores, ou à solidariedade mostrada pelo mundo do Xadrez ante os incidentes relacionados com Bobby Fischer no Japão.


Bobby Fischer depois de ser liberado do cárcere no Japão (março 2005)

Da mesma forma, quando constatamos a potencialidade dos meninos Grandes Mestres S. Karjakin e M. Carlsen, ou conhecemos a carreira enxadrística das irmãs Polgar, por só mencionar alguns fatos importantes que engrandecem e realçam o Nobre Jogo.


As irmãs Polgar em sua infância


As irmãs Polgar numa foto recente

No entanto, por ser o Xadrez o mesmo, um só, que não pertence a ninguém em particular, que é de todos os que o praticam dignamente em Moscou, Tóquio, Luanda ou Santo Domingo, é que devemos protegê-lo para evitar que em seu nome realizem-se ações que lhe diminuam a importância, prestígio e nobreza.

Devemos protegê-lo das Federações que acreditam ser seu dono e tratam de limitá-lo dentro de absurdas fronteiras, sem dar-se conta de que isso constitui uma tarefa medíocre que o isola de uma civilização que reconheceu sua universalidade.

Devemos protegê-lo dos dirigentes que em lugar do servir ao Xadrez se servem do Xadrez.

Devemos protegê-lo dos árbitros que impunemente tomam decisões arbitrárias, parciais e desonestas.

Devemos protegê-lo dos jogadores indisciplinados, que carecem de cavalheirismo, ética desportiva e profissionalismo.

Devemos protegê-lo dos treinadores sem alunos nem discípulos e que são só uns mercadores do Xadrez.

Devemos protegê-lo dos organizadores de torneios fantasmas que procuram favorecer algum bom concorrente.

Por sorte, para seus adeptos em qualquer canto do mundo, o Xadrez é uma atividade que brilha com luz própria e deixa na sombra os personagenzinhos que lhe causam danos e que, protegido pela grande maioria de seus fiéis seguidores, seguirá seu rumo, como uma maravilhosa criação do talento humano, com virtudes tão inumeráveis como os grãos de areia de um deserto.



Artigos do MI Nelson Pinal em espanhol na web Ajedrez Espectacular

Fonte: Ajedrez Espectacular

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Tradução: Anderson de Jesus

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