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O humor no xadrez
  Postado em Wed 11 Feb 2009 por torre21 (1163 acessos)

MI Nelson Pinal Borges

O Grande Mestre Savielly Tartakower (1887-1956) foi um dos enxadristas que mais doses de humor imprimiu ao Xadrez. Conhecido e admirado por suas originais frases e anedotas relacionadas com o Jogo Ciência, dele sempre lembramos uma de suas mais famosas frases: “Numa partida de xadrez, às vezes, jogam mais de quatro cavalos!”


Savielly Tartakower

Sua rica e vasta experiência enxadrística -em seus 50 anos de carreira, competiu em cerca de 120 torneios e foi autor de uma extensa bibliografia- permitiu-lhe descrever, num de seus freqüentes dias de inspiração intelectual, os Sete Pecados aos quais está exposto um jogador ante o tabuleiro das 64 casas.

Nestes pecados, Tartakower destaca, com um fino sentido de humor, os perigos que rodeiam o pensamento e a ação do enxadrista ante determinada situação.


Tartakower no torneio de Rotterdam de 1931
Da esquerda para a direita, Akiba Rubinstein, Salo Landau, Edgar Colle e Savielly Tartakower



OS SETE PECADOS CAPITAIS DO ENXADRISTA

1- Superficialidade: Uma análise frívola é muito perigosa, não está de acordo com a essência mesma do xadrez e pode-se pagar muito caro por isso.

2- Voracidade: A gula enxadrística gera o perigo de morrer envenenado. Lembrem do peão de b2; a voracidade é muito perigosa, sobretudo quando é superior à análise profunda.

3- Pusilanimidade: Ser vacilante na análise de determinada posição é perigoso, tendo em vista que dita posição não voltará a repetir-se e, portanto, deve-se aproveitar o momento preciso para jogar sem vacilação.

4- Inconsequência: Um dos pecados mais perigosos. Há que ser consequente com o plano estratégico concebido; ser inconsequente com a execução de uma ideia pode levar à derrota.

5- Dilapidar o tempo: Pecado realmente grave, que não se refere somente ao xadrez. O fator tempo nas três fases da partida é tão importante como o tempo de pensar. Desperdiçá-lo e esbanjá-lo constitui um ato suicida tanto no xadrez como na vida.

6- Bloqueio: Há que ser muito cuidadoso com o bloqueio. Sua execução, muitas vezes, provoca uma passividade extrema onde a harmonia de nossas peças cede terreno a uma fatal inatividade.

7- Excesso de amor à paz: Este pecado é o anti-xadrez. O xadrez é luta (Lasker). Temor a arriscar-se e preferir a extrema tranquilidade é o germe da derrota.




Tartakower com o jovem Paul Keres no torneio de AVRO de 1938.

Artigos do MI Nelson Pinal em espanhol na web Ajedrez Espectacular

Fonte: Ajedrez Espectacular

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Tradução: Elias Muniz

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