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| Sobre Kasparov, Federações e Dirigentes |
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Postado em Mon 16 Feb 2009
por torre21
(818 acessos)
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 MI Nelson Pinal Borges
"O Campeão Mundial é a melhor personificação de sua época e, com base nele, podemos julgar o desenvolvimento do Xadrez". (GM G. Kasparov)
De Kasparov
O Xadrez sem Kasparov é a música sem The Beatles, o basquete sem Michael Jordan ou o futebol sem Pelé. Portanto, sem Kasparov perdemos todos: enxadristas e aficionados. Mas a FIDE também sai muito prejudicada, não só pela ausência da luz da mais brilhante estrela do Xadrez, mas porque demonstrou incapacidade para encontrar uma solução para suas diferenças com o melhor jogador do mundo dos últimos 20 anos e - por que não? - o melhor enxadrista da História do Xadrez. Uma das funções da FIDE é criar um ambiente de ordem e paz no Xadrez internacional, que inclui suas relações com as diferentes Federações Nacionais e com os enxadristas; sua responsabilidade na retirada de Kasparov é inquestionável e não favorece seu papel como máxima Instituição do Xadrez Mundial.
 Garry Kasparov no momento em que anuncia sua retirada do xadrez profissional (10-3-2005)
Por outra parte, poucos dias antes do anúncio da lamentável retirada de Kasparov, a FIDE emitiu um comunicado onde condenou a Federação Espanhola de Xadrez a não organizar eventos oficiais. Ainda que não pretenda entrar nos pormenores das diferenças entre a FIDE e a Federação Espanhola de Xadrez, salta à vista que esta condenação aconteça depois que Espanha organizou com sucesso, durante os últimos anos, dezenas de eventos próprios da Federação Internacional e da União Europeia de Xadrez, incluindo a Olimpíada Mundial por equipes.
A Espanha se constitui atualmente na Meca do Xadrez mundial, onde se celebram vários dos melhores Torneios internacionais, onde o Xadrez se faz mais popular a cada dia e se ensina e compete desde níveis escolares - algo muito meritório e exemplo a ser seguido pelos países interessados no desenvolvimento de sua base enxadrística. Na Espanha foram residir enxadristas de todas as partes do mundo, incluindo os super-elite V. Anand e A. Shirov. Não creio que com uma Federação irresponsável, incapaz e sem autoridade, a Espanha fosse o que é hoje no Xadrez mundial.
De Federações
A retirada de Kasparov e a sanção à Federação Espanhola de Xadrez são dois elementos importantes que põem em tela de juízo a correta funcionalidade da FIDE e dá passagem ao seguinte raciocínio: se a FIDE, que é uma Instituição com cerca de 80 anos de existência e que é o ponto de referência de centenas de Federações Nacionais, de milhares de enxadristas e até do próprio Comitê Olímpico Internacional, máximo regente do esporte mundial, e assim mesmo, às vezes, não é competente para resolver importantes assuntos que são de sua incumbência, por seu nível e autoridade, então o que podemos esperar das funções de algumas Federações Nacionais, onde seus diretores carecem de conhecimentos, critérios e experiência para poder executar planos de desenvolvimento do Xadrez em seus respectivos países?
Ainda existem as Federações Nacionais de Xadrez que não são funcionais e que estão muito afastadas do conhecimento das tarefas de uma Federação interessada em desenvolver o Jogo Ciência. Essas Federações, em vez de funcionar para o desenvolvimento, baseado em esquemas de trabalho elaborados com critérios técnico-organizativos que satisfaçam as necessidades do país, funcionam a base de improvisações, sem ter uma idéia das metas a serem vencidas nem de como fazer as coisas.
As consequências dessas mal chamadas Federações são muito daninhas para o ambiente enxadrístico, já que, ao não existir um Núcleo reitor da atividade nacional, perde-se a realização de eventos oficiais e não oficiais, a organização de atividades como conferências, cursos de capacitação, simultâneas, atendimento aos estados do interior do país, etc., o que provoca um retrocesso em todos os sentidos e o Xadrez cai num limbo que afeta a jogadores e aficionados de todos os níveis.
Outra conseqüência da incapacidade para dirigir com acerto é que em algumas ocasiões são cometidas injustiças contra jogadores, em outras são permitidas indisciplinas ou são produzidos fatos que vão contra o prestígio do Jogo Ciência.
De Dirigentes
Geralmente as Federações não funcionais estão administradas por Dirigentes incapazes; são os chamados incas do Xadrez, que chegam a diretores por infortúnios do destino ou por condições muito próprias de alguns países (inca, de incapazes, não dos antigos habitantes do Império Inca exterminados por Francisco Pizarro).
Sem tradição enxadrística nem Currículo com méritos para dirigir uma atividade tão complexa como o Xadrez, os incas mal sabem mover as peças ou conhecem suas Regras, chegam a diretores sem ter visto um evento de Xadrez e, algo muito importante, não sentem como enxadristas, nem possuem a paixão necessária para trabalhar em prol do Xadrez e de seus jogadores. Por certo que os incas carecem dos conhecimentos técnicos e da experiência para poder executar um bom trabalho à frente da Federação.
Ademais, os incas não são receptivos às sugestões de seus colegas mais experimentados e só escutam seus bajuladores, os oportunistas de sempre, que pescam em abundância no mar revolto e tiram proveito pessoal da crise em detrimento da maioria de jogadores.
Só com os melhores desejos de realizar um bom trabalho como Dirigente não se consegue o sucesso. São necessárias as condições pessoais - ter bom caráter, exercer com firmeza, mas sem cair no autoritarismo, saber ouvir as idéias dos demais, possuir conhecimentos e critérios técnicos, ter alguma experiência como jogador, árbitro, ou ter estado vinculado ao Xadrez de alguma forma e por um determinado espaço de tempo.
Considero que a primeira chave para ser um Dirigente de Xadrez eficiente é que deve ter sido, antes de tudo, enxadrista. É uma condição imprescindível, é o primeiro passo para não levar uma Federação de Xadrez a ser não funcional. Não se pode dirigir uma organização que represente pessoas pensantes, como existe no Xadrez de qualquer país, se não se tem uma experiência prévia adequada desse submundo cheio de personalidades tão diferentes umas das outras.
Artigos do MI Nelson Pinal em espanhol na web Ajedrez Espectacular
Fonte: Ajedrez Espectacular
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Tradução: Anderson de Jesus
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