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| Xadrez versus xenofobia |
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Postado em Tue 17 Feb 2009
por torre21
(939 acessos)
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 MI Nelson Pinal Borges
"O Xadrez é um jogo honrado". (W. Shakespeare)
Afirmo categoricamente que a xenofobia entre os verdadeiros enxadristas não existe. O Xadrez é uma ferramenta especial para a comunicação, o entendimento e a amizade entre as pessoas de diferentes raças, ideologias e níveis sociais.
São muitíssimos os exemplos de relações de camaradagem entre amantes do Nobre Jogo de diferentes países. E são conhecidas também as relações amorosas nascidas de encontros enxadrísticos, envolvendo homens e mulheres de diferentes nacionalidades.
E o que dizer da partida entre o verdugo e o condenado a morte, momentos antes da execução?
O Xadrez sempre foi um jogo cosmopolita, não só porque se pratica nos mais recônditos rincões do mundo, mas também porque os enxadristas viajam milhares de quilômetros para jogar e até para residir fora de sua Pátria. Entre os casos mais conhecidos, temos a plêiade de fortes jogadores que no ano de 1939 ficaram morando na Argentina devido à coincidência entre a famosa Olimpíada e a Segunda Guerra Mundial.
O lendário GM Miguel Najdorf era polonês de nascimento, mas argentino de coração, desde que em 1939 visitou a Argentina. O GM Samuel Reshevsky – ex-menino prodígio e excelente jogador - nasceu na Polônia, ou seja, não era norte-americano. O GM Salo Flohr, um dos melhores jogadores dos anos 30, era checo e emigrou para a URSS depois que os nazistas invadiram sua terra natal. O ex-campeão mundial Alexander Alekhine era russo, mas desenvolveu-se enxadristicamente na França, vindo a morrer em Portugal.
Casos mais recentes são os de Victor Korchnoi, O Terrível. Russo de nascimento, emigrou para a Holanda em 1976 e posteriormente se radicou na Suíça. O ex-campeão mundial Boris Spasski, igualmente russo, emigrou para a França há vários anos. E os Mestres soviéticos que se espalharam pela Europa e Estados Unidos depois da desintegração da URSS, ou de muitos jogadores latino-americanos que vivem na Espanha?
A uma Olimpíada Mundial por equipes acorrem dezena de jogadores representando seus novos países de residência. E tudo é aceito com normalidade tanto pela FIDE como por todos os enxadristas. É que entre os amantes do Jogo Ciência não tem lugar para a xenofobia.
A xenofobia só existe nos pseudo-enxadristas, nos oportunistas, alguns tendo chegado a dirigentes por acidentes do destino, mentes medíocres, sem tradição nem Cultura Enxadrística, e que desgraçadamente decidem, sob determinadas e circunstâncias temporárias, políticas enxadrísticas nacionais. Estes diminuem e dividem a massa enxadrística.
Como experiência posso afirmar que sendo enxadrista de nacionalidade cubana radicado na República Dominicana, terra de excelente gente e de formosas praias, de maneira geral sempre fui bem acolhido nas tantas atividades desenvolvidas ao longo do país, em mais de 20 cidades, desde a romântica Barahona no sul, até Samaná no norte, a bela cidade visitada periodicamente pelas baleias importunadas. Desde Neyba, a cidade das uvas, até La Romana, refúgio turístico de famosos artistas internacionais.
O trato respeitoso e generoso característico do povo dominicano sempre prevaleceu em diferentes eventos em que participei, já seja como jogador, simultanista ou conferencista. Isso é edificante e reconforta os sentimentos de solidariedade entre os povos cubanos e dominicanos, tão unidos pela História, Geografia e Cultura.
No entanto, conheci casos em Nossa América, como chamou Martí, de dirigentes que chamam depreciativamente de estrangeiros a jogadores legalmente estabelecidos numa segunda Pátria.
Conheci casos de dirigentes de raça branca que chamam de estrangeiro o negro e de dirigentes de raça negra que chamam de estrangeiro o branco, sem se dar conta de que nem o branco nem o negro são oriundos de Nossa América. Uns com seus antecessores europeus - espanhóis, portugueses e ingleses fundamentalmente - e outros trazidos por estes para trabalhar a cana nesta região de açúcar, fumo e rum. Por desgraça, os primeiros exterminaram os índios, habitantes naturais de nossos países, e os segundos convertidos sob condições de escravatura em substitutos da mão de obra indígena.
Conheci diferentes formas de marginalização, abusos e desconsideração com enxadristas estrangeiros em vários países da Europa e da América Latina. Por sorte, são pequenos e de breve duração, já que a cada dia são menos os dirigentes de mentalidade xenofóbica, porque a Deusa Caissa, fiel defensora do verdadeiro Xadrez, consegue enviá-los a tempo à lixeira da História.
Exorto, desde estas páginas, a que se denuncie publicamente e ante a FIDE esses casos isolados que em pleno século XXl, e sendo todos habitantes de uma mesma Aldeia Global chamada planeta Terra, ainda permanecem, para desprestigio da Família Enxadrística, que é uma só e como tal deve reagir ante qualquer caso que se conheça em qualquer parte do mundo.
Artigos do MI Nelson Pinal em espanhol na web Ajedrez Espectacular
Fonte: Ajedrez Espectacular
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Tradução: Anderson de Jesus
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